Teatro

O Grupo Cénico ‘Os Teimosos’ teve a sua origem no velho Teatrinho Montelavarense, este iniciado por volta da segunda metade do séc. XIX, +-1860, teve início com futuros associados da Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense e seus filhos, resolvendo os espaços cénicos e de preparação das peças nos mais diversos locais improvisados, como cavalariças, adegas, garagens, entre outros, durante muitos anos regalo de um público que, nessa época distante, isolado dos grandes centros, divertia a gente aldeã, assídua e entusiasmada, bem como os seus camponeses: Josué António Capucho, José Franco, Adrião Marques, Albino de Carvalho e Manuel Cantadeiro, e certamente alguns mais, que os raríssimos escritos de então não mencionam. Com o produto das receitas destes espetáculos, ao jeito de autos de Gil Vicente, iam provendo ao auxílio à sua querida Banda Filarmónica.

Foram as Cegadas Populares que deram origem ao Teatro em Montelavar, ainda no séc. XVIII, Josué António Capucho era o grande impulsionador.
Em 1933 é criado, a bem da cultura desenvolvida nesta sociedade, o grupo teatral ‘Os Teimosos’. Ensaia o operário poeta popular Josué António Capucho; são elementos do mesmo; António Manuel Cardador, Domingos Taful, Duarte Franco, Joaquim Galucho, Josué da Fonseca, Isidoro d’ Oliveira Lourenço e Manuel Cipriano. O grupo de teatro realiza vários espetáculos, com o objetivo de angariar fundos para a construção de uma sede própria.

Quando, em 1940, completamente reformulado, ‘Os Teimosos’ surgem englobando no seu conjunto presenças femininas, foi uma autêntica revolução nestes meios. A grácil presença de meninas empresta ao espetáculo um sabor até então desconhecido. Além dos de 1933, com exceção do Taful e Galucho, são Amado Domingos Urmal, António Cardador, Armando d’ Almeida, Duarte Franco, Isidoro d’ Oliveira Lourenço, Manuel Francisco Cipriano, Manuel Gomes, Mário Menezes, Natal Pais Capucho e Virgílio Duarte Ribeiro. Na parte feminina encontram-se os nomes de Alice Adelaide Jesus Pais e Zulmira Cardador. O grupo ensaiava na antiga garagem dos autocarros que faziam o circuito Montelavar/Lisboa, sita na Travessa da Boa Viagem. Levaram, neste ano, a cena “Erro judicial” e “Zázá”.

Outros colaboradores de ambos os sexos alimentam durante anos esta chama pelo teatro que através das receitas angariadas e integralmente entregues à Sociedade, deram o maior contributo para a construção da sua esplêndida sede. Todas as «migalhas» eram para a valorização da mesma. No período da sua atividade entregaram umas centenas de contos.

No ano seguinte, 1941, entram em cena com “As duas causas”, recital de monólogos “Amôres de Primavera”, letra de Josué António C. Capucho e canção regional “Aguas de Montelavar” com letra e música de Modesto Alves Velho, sendo o elenco composto por Amado Domingos Urmal, Cremilde Cavalheiro Urmal, Duarte A. Franco, Elvira Luiza Antunes, Florinda Maria Catalão, Izidoro de Oliveira Lourenço, Manuel Francisco Cipriano, Maria de Lourdes P. de Almeida, Porfírio David Urmal, Teodolinda Capucho Pais e Virgílio Duarte Ribeiro, sendo o Ponto: Augusto Alfredo Pais.

Em 1948, Já no seu edifício sede, realizaram-se várias peças de teatro e musicais com encenação de Josué António Capucho, entre elas “As Bruxas” e “Entre duas Avé-Marias”, Esta com o elenco composto por Amado Domingos Urmal, Amália Cecília Matias Pais, António Domingos Silva, António José da Silva, António Manuel Cavalheiro, Duarte António Franco, Emílio David Urmal, Irene Duarte de Oliveira, Izidoro de Oliveira, João Urmal, José António da Silva, Manuel Francisco Cipriano, Maria Emília Capucho Grilo, Maria da Piedade Catalão, Maria Helena Matias Pais, Mariana Duarte da Silva Vistas, Olga da Silva Vistas, Porfírio David Urmal, Virgílio Duarte Ribeiro sendo o Prólogo: Maria Emília Capucho Grilo, Ponto: João Moucheira Antunes e Contra-regra: João Casinhas Urmal, Peça musicada pela orquestra da coletividade dirigida pelo Maestro Álvaro de Sousa. Em 1959, Natal Capucho inicia-se como encenador.

Até 1970, foram levadas a cena várias peças e operetas, como "As Pupilas do Senhor Reitor" e "Lobo do Povoado".

Nesta altura, o grupo sofre um interregno, regressando em 1974. Nesse ano, dado aos movimentos atribulados devido às recentes mudanças políticas, o grupo passa denominar-se como “Filhos do Povo”, um nome muito conectado e utilizado politicamente. Com jovens dirigidos pelo encenador Gil Matias, onde se iniciou como encenador em Montelavar, estreiam-se com a peça “A promessa”, de Bernardo Santareno, na garagem de Eduardo Jorge que possuía a empresa de camionagem, esta adquirida ao Filipão. Deram continuidade com peças como “Ensaio” de Albert Malts, “Casa de Bernarda Alba” de Frederico Garcia Lorca, “Força do povo”, entre outras. As deslocações para espetáculos fora de casa eram feitas em carros militares.

‘Filhos do Povo’ dura até 1985/86. É em 1988/89 que o grupo de teatro volta ao nome ‘Os Teimosos’ pela mão de Gil Matias apresentando várias peças como a comédia “Chagas Roquete” e “ Zé do Telhado” de Hélder Costa.

 Com várias paragens o grupo de teatro ‘Os Teimosos’, sempre com Gil Matias, em maio de 2005, estreia o palco do novo edifício SFBUM com a peça “Bisbilhoteira” e em 2009 apresenta a revista “Santos em casa Diabos em Brasa”.

Tendo nova paragem, recomeça em 2019, mantendo o mesmo encenador Gil Matias e com novidades muito em breve. Em Outubro estreia a peça “Os vizinhos do Rés-do-Chão” de Fernando Santos | Almeida Amaral no Festival de Teatro Amador proporcionado pela Câmara Municipal de Sintra. Em 08 de Março de 2020 ‘Os Teimosos’ levam a peça à Maison de la Musique de Nanterre, Paris. Tendo sido obrigado a parar devido à pandemia, em Maio de 2021 retomam os ensaios para levar nova peça a cena, com o ator Silvério Santos a estrear-se como encenador, devido ao estado de saúde do seu querido e eterno encenador Gil Matias. Em 2024, novembro, estreia-se com a peça “Sexta-feira 13” de Jean-Pierre Martinez.

 

Legado e homenagem

No dia 26 de dezembro de 2024, falece Gil Matias, o eterno encenador do grupo, cujo nome desde 2009 batiza o palco da SFBUM.

Em sua memória, a SFBUM organizou no dia 8 de junho de 2025, data do seu aniversário, uma homenagem póstuma com espetáculo e cerimónia evocativa do seu legado artístico. O evento contou com a presença de familiares, colegas, artistas, comunidade e entidades institucionais, celebrando a vida e a obra de uma das figuras mais marcantes do teatro da região.

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